Agricultura

Práticas Sustentáveis e Rastreabilidade Fortalecem o Algodão Mineiro no Mercado Internacional

PATOS DE MINAS (MG) — A sustentabilidade e a transparência na cadeia produtiva continuam abrindo portas para o agronegócio de Minas Gerais no exterior. A Associação Mineira dos Produtores de Algodão (Amipa) anunciou a conclusão do ciclo de certificação da safra 2025/2026, no qual 13 propriedades rurais do estado conquistaram a aprovação no Programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR). O selo nacional é acompanhado do reconhecimento internacional concedido pela Better Cotton Initiative (BCI).

Acervo Amipa I Queiroz e Rocha
Produtor de algodão em Minas Gerais, o Grupo Farroupilha participa do ABR desde 2012.

Para obter as chancelas, as fazendas passaram por rigorosas etapas de diagnóstico, Verificação para Diagnóstico da Propriedade (VDP) e aplicação do Plano de Correção de Não Conformidades (PCNC), processos conduzidos com assistência técnica especializada da Amipa. As certificações garantem o cumprimento de exigências severas no âmbito trabalhista, no manejo ambiental correto e na eficiência operacional, requisitos cada vez mais cobrados pelos compradores internacionais de pluma.

A força da cotonicultura em Minas Gerais

Minas Gerais posiciona-se como o quarto maior produtor de algodão do país na safra 2025/2026, somando mais de 39 mil hectares cultivados — dos quais acima de 17 mil hectares já contam com certificação socioambiental. O estado destaca-se historicamente por sua eficiência no campo, tendo alcançado em 2023 o recorde de maior produtividade nacional, com a marca de 2.045 quilos de pluma por hectare, segundo dados da Abrapa e da Agência Minas.

“Essas treze propriedades mostram que o produtor mineiro tem incorporado a certificação à gestão da fazenda. Além de atender às exigências do mercado, o processo melhora rotinas, amplia a segurança dos trabalhadores e torna a operação mais eficiente”, destaca Daniel Bruxel, presidente da Amipa.

O consultor técnico da entidade, Luis André de Queiroz, explica que a obtenção conjunta dos selos ABR e BCI exige pelo menos 90% de conformidade global nos requisitos avaliados e 100% de atendimento aos Critérios Mínimos de Produção. O acompanhamento preventivo das lavouras pela Amipa começa meses antes das auditorias oficiais, fornecendo às fazendas suporte documental e técnico para a consolidação dos protocolos.

Alinhamento com diretrizes globais e ESG

Criado em 2012 pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), o programa ABR tem na conformidade trabalhista um de seus pilares mais sólidos, exigindo alinhamento integral à CLT e à Norma Regulamentadora nº 31 (NR-31), somado a práticas de conservação do solo e descarte adequado de resíduos.

Neste ano, a transparência do setor ganhou reforço com a divulgação do primeiro relatório sustentável baseado nos parâmetros da Global Reporting Initiative (GRI). De acordo com Fábio Carneiro, gerente de Sustentabilidade da Abrapa, a consolidação desses dados atende a uma demanda direta do setor têxtil global por relatórios estruturados.

O programa também monitora ações de mitigação climática nas lavouras, incluindo o uso de energia fotovoltaica, cobertura vegetal e a mensuração da pegada de carbono — esta última em parceria com a Embrapa. Além disso, a criação do Instituto ABR em 2025 passou a reunir produtores, indústria, academia, ONGs e varejistas internacionais para definir os rumos estratégicos da cotonicultura responsável.

Controle do campo à indústria

No cotidiano das propriedades, o monitoramento é contínuo. Exemplo disso é o Grupo Farroupilha, com sede em Patos de Minas, que possui cinco fazendas certificadas nos municípios de Coromandel, Presidente Olegário, São Gonçalo do Abaeté e Buritizeiro.

Carolina Lara Vasconcelos Ferreira, gerente de Saúde, Segurança e Sustentabilidade da empresa, pontua que a auditoria independente confirma o padrão da operação. O selo assegura ao mercado comprador o manejo correto de defensivos, a oferta de equipamentos de proteção (EPIs), exames médicos e treinamentos aos colaboradores, além de garantir o rastreamento integral da fibra, desde a semente até a prensagem em fardos.

Cadeia de suprimentos e exigências internacionais

A aprovação no ABR habilita automaticamente a comercialização da safra sob a chancela BCI. Esse rigor ganha relevância em um momento de endurecimento nas regras da União Europeia referente ao compliance socioambiental e à rastreabilidade das matérias-primas importadas. O Brasil lidera esse movimento, sendo responsável por mais de um terço de todo o algodão licenciado no mundo, segundo dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) para o ciclo 2024/2025.

Para ampliar a adesão de novos produtores, a Amipa trabalha com uma jornada de adequação de dois anos (diagnóstico no primeiro ano e certificação no segundo) e atua em cooperação com o governo estadual no programa Certifica Minas Algodão. O objetivo é consolidar uma rede de garantias sustentáveis que ateste a qualidade e a responsabilidade da fibra mineira no mercado global.

Com informações de assessoria / AMIPA

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