Projetos do MEA incentivam estudantes e valorizam escolas do campo no Noroeste gaúcho
Iniciativas apoiam projetos desenvolvidos pelas próprias escolas e valorizam conhecimentos, saberes e experiências das comunidades rurais
Projetos que valorizam os conhecimentos produzidos no campo, incentivam o protagonismo dos estudantes e fortalecem iniciativas desenvolvidas pelas próprias escolas estão sendo realizados em instituições de ensino do Noroeste do Rio Grande do Sul em parceria com o MEA – Memorial da Evolução Agrícola, em Horizontina. As experiências apoiam as escolas em projetos relacionados à agricultura, meio ambiente, patrimônio cultural, segurança alimentar, tecnologia e memória, reconhecendo os saberes das comunidades e criando novas possibilidades para a formação dos jovens.
Um dos exemplos é a E.M.E.F. Bem Viver Caúna, de Três de Maio, que no dia 14 de outubro apresenta no MEA a exposição “Do Milho ao Artesanato: Cultura, Natureza, Saberes e Sabores”. Desenvolvido com estudantes do 3º e 5º ano, o projeto acompanha diferentes etapas do ciclo do milho, desde o plantio até a colheita, passando pela visita a um moinho colonial, pelo preparo de alimentos e pela produção de artesanato com a palha.
A experiência busca valorizar conhecimentos presentes na comunidade e relacioná-los aos conteúdos trabalhados em sala de aula. “A experiência proporcionada pelo projeto transforma a visão dos estudantes sobre a própria realidade ao unir o conhecimento tradicional da comunidade com a inovação pedagógica”, destaca a diretora da escola, Juliana Reinstein.
A Bem Viver Caúna é uma das escolas selecionadas pelo Edital MEA nº 01/2026 – Prosas com a Escola, que estabeleceu uma ação afirmativa para escolas rurais ou do campo, com pontuação diferenciada na seleção dos projetos. A iniciativa busca fortalecer trabalhos desenvolvidos pelas próprias instituições e criar possibilidades para que os estudantes compartilhem suas experiências com a comunidade.

Educação do campo conectada ao presente
Em Erval Seco, a E.M.E.F. Coronel Finzito, também selecionada pelo edital, desenvolveu o projeto “Operação Terra Livre: Sistema de soberania hídrica”, que resultou em uma exposição no MEA. A escola também levou ao Noroeste Summit, em 2026, um projeto de irrigação automatizada desenvolvido pelos estudantes, aproximando conhecimentos do campo e tecnologia.
Já na Casa Familiar Rural Filhos da Terra, de Campina das Missões, a parceria com o MEA trabalhou o protagonismo da juventude rural por meio da comunicação e da tecnologia. Os estudantes participaram de oficinas de fotografia, vídeo e redes sociais e produziram conteúdos sobre suas próprias vivências no campo. Os trabalhos foram apresentados no Hortigranjeiros 2025, em Santa Rosa, em uma ação que contou com a participação dos próprios jovens na produção de conteúdo.
Com 85 estudantes de diferentes municípios, a escola trabalha com formação em agricultura familiar e com a construção de projetos profissionais de vida relacionados às propriedades de suas famílias. A experiência mostra outra possibilidade de fortalecer a relação dos jovens com seu território: não apenas como estudantes, mas também como produtores de informação e protagonistas na forma de contar a própria realidade.
Em Palmeira das Missões, a parceria com a Escola Celeste Gobbato teve como foco a memória e o patrimônio. Professores participaram de uma formação no MEA e, posteriormente, a equipe do memorial esteve na escola para trabalhar com o acervo do Grêmio Estudantil. Fotografias e documentos acumulados ao longo de mais de 60 anos foram utilizados em uma ação de resgate da história da comunidade escolar.

Divulgação EMEF Bem Viver Caúna.
Um programa construído com as escolas
As experiências fazem parte do Prosas com a Escola, programa do MEA que parte de projetos e interesses já existentes nas instituições de ensino. A partir do diálogo com cada escola, são construídas propostas que podem envolver oficinas, mediações culturais, visitas técnicas, encontros com profissionais de diferentes áreas e acompanhamento das equipes escolares.
“A proposta é construir junto com cada escola, valorizando aquilo que já está sendo desenvolvido e criando novas possibilidades de aprendizagem a partir da realidade dos estudantes”, explica Carla Borba, coordenadora do Educativo, Cultural e Socioambiental do MEA.
Em 2025, o programa realizou 47 atividades, envolvendo cerca de 1.000 participantes de escolas de Horizontina, Três de Maio, Santa Rosa, Santo Cristo e Cândido Godói. Em 2026, até julho, foram promovidas 14 atividades, com 229 participantes de escolas de Horizontina, Três de Maio e Erval Seco.
Mais do que levar estudantes para dentro de um espaço museal, as experiências buscam criar conexões entre educação, território e futuro. No caso das escolas do campo, os projetos permitem trabalhar conhecimentos relacionados à agricultura e ao ambiente em diálogo com cultura, tecnologia, memória e inovação, valorizando diferentes formas de conhecimento e o protagonismo dos próprios estudantes.
Serviço
Exposição “Do Milho ao Artesanato: Cultura, Natureza, Saberes e Sabores”
Data: 14 de outubro de 2026 (quarta-feira)
Horário: 9h30
Local: Espaço expositivo do MEA – Memorial da Evolução Agrícola, Horizontina (RS)
Entrada: gratuita
Classificação: livre
SOBRE O MEA
Todas as atividades do MEA são gratuitas e de classificação livre.
Estacionamento exclusivo para visitantes. Não fecha ao meio-dia.
Prédio do Memorial: de quarta a domingo e feriados, das 9h às 17h (entrada na exposição até às 16h30).
Eletroposto e área externa do MEA: de terça a domingo e feriados, das 7h às 22h.
O MEA – Memorial da Evolução Agrícola é uma iniciativa do Ministério da Cultura e do Instituto John Deere, por meio da Lei Rouanet de Incentivo à Cultura do Programa Nacional de Apoio à Cultura (PRONAC), e tem como patrocinador master a John Deere Brasil.
Ocupa uma área de 64 mil m² em Horizontina, no Rio Grande do Sul, proporcionando atividades de arte, cultura, educação, meio ambiente, esporte e lazer. De forma tecnológica e imersiva, o MEA conta a história da agricultura brasileira com o objetivo de provocar, trocar e produzir conhecimento em prol da sociedade e da diversidade cultural e ambiental. Todas as suas atividades culturais, educativas e de bem-estar são oferecidas gratuitamente e com classificação livre. Conta com amplo estacionamento gratuito para os visitantes.
Além do espaço da exposição de longa duração, das oficinas culturais e das salas multiuso, o complexo tem quadras esportivas, academia a céu aberto, parquinhos para crianças de até 12 anos, amplo espaço para práticas ao ar livre, John Deere Store e a unidade Senai Horizontina (RS).
Emilene Lopes

You must be logged in to post a comment.