Piscicultura

Exportação de Filé Congelado de Tilápia Abre Nova Era para a Piscicultura Brasileira

SÃO PAULO (SP) — O avanço no envio de filés congelados de tilápia promete consolidar um novo ciclo de expansão internacional para a piscicultura do Brasil. A projeção foi destacada pelo presidente da Associação Brasileira da Piscicultura (PEIXE BR), Francisco Medeiros, durante o painel “O mundo do pescado: desafios e oportunidades de polos produtivos globais”, no evento Seafood Show Latin America 2026, realizado em São Paulo.

O Brasil é atualmente o quarto maior produtor mundial de tilápia e ultrapassou, em 2025, a marca histórica de 1 milhão de toneladas de peixes de cultivo. Contudo, o forte ritmo de consumo no mercado doméstico fez com que a indústria focasse predominantemente nas vendas internas ao longo dos últimos anos, deixando o comércio exterior como uma pauta de atenção mais recente.

Conquista de novos mercados e adequação técnica

Atualmente, Estados Unidos e Canadá figuram como os destinos prioritários da tilápia nacional, com destaque para a entrega de filés frescos — segmento em que o país conquistou espaço impulsionado pela alta qualidade, preços competitivos e agilidade na logística aeroportuária. O novo objetivo do setor é ampliar a presença internacional por meio do filé congelado, abrindo espaço para atender clientes em diferentes continentes.

“Estamos entrando em uma nova fase, voltada ao mercado internacional de filés congelados. Temos capacidade produtiva, tecnologia e escala, mas precisamos avançar na adequação dos protocolos de produção e processamento às exigências dos diferentes compradores”, pontua Francisco Medeiros, presidente da PEIXE BR.

Diferenciais competitivos e gargalos do setor

A piscicultura brasileira conta com trunfos estratégicos, como a abundância de grãos (milho e soja) para fabricação de rações, clima propício e o know-how consolidado do país na produção de proteína animal. A chegada de grandes grupos do setor de aves e suínos acelerou a profissionalização do segmento, injetando capital em melhoramento genético, automação industrial e parques fabris modernos.

Apesar da rápida evolução, a atividade ainda lida com gargalos que limitam seu ganho de escala global, como a alta carga tributária, gargalos logísticos, exigências sanitárias internacionais e a burocracia no licenciamento ambiental das áreas de cultivo.

“A piscicultura é uma atividade relativamente jovem no Brasil e ainda passa por um processo de amadurecimento. Temos frigoríficos altamente automatizados e empresas que continuam investindo em tecnologia e eficiência. O desafio é criar condições para que toda essa capacidade se transforme em maior competitividade”, enfatiza Medeiros.

Com o amadurecimento do arcabouço regulatório e o alinhamento com as barreiras sanitárias globais, a expectativa da entidade é que o pescado cultivado no país aumente substancialmente sua fatia nas exportações mundiais, sem perder o fôlego de crescimento no mercado interno.

Sobre a PEIXE BR 

A PEIXE BR é uma associação que possui 12 anos de atuação no mercado de piscicultura, com forte representatividade no setor. Uma de suas missões é melhorar a competitividade do segmento e do ambiente regulatório da atividade no Brasil, promovendo o desenvolvimento da cadeia produtiva de forma sustentável e transparente. 

Redação Agromundo / Com informações da assessoria de imprensa da PEIXE BR

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